ACM Neto afirma que ‘as coisas estão caminhando’ para o DEM apoiar governo Bolsonaro

Presidente da sigla deu declaração após se reunir nesta quarta (12) com presidente eleito. ACM atribuiu indicações de integrantes do DEM para o governo como escolhas pessoais de Bolsonaro.

Jair Bolsonaro se reúne com dirigentes e parlamentares do DEM na sede do governo de transição. Ao final do encontro, o presidente do partido, ACM Neto (sentado, à esq), disse que vai convocar a executiva nacional da sigla para discutir apoio ao futuro governo — Foto: Rafael Carvalho/Governo de TransiçãoJair Bolsonaro se reúne com dirigentes e parlamentares do DEM na sede do governo de transição. Ao final do encontro, o presidente do partido, ACM Neto (sentado, à esq), disse que vai convocar a executiva nacional da sigla para discutir apoio ao futuro governo — Foto: Rafael Carvalho/Governo de Transição

O presidente nacional do DEM e prefeito de Salvador, ACM Neto, declarou nesta quarta-feira (12), após se reunir com o presidente eleito Jair Bolsonaro, que “as coisas estão caminhando” para o partido integrar oficialmente a base de apoio do futuro governo no Congresso Nacional.

ACM Neto e as bancadas do DEM no parlamento conversaram com Bolsonaro no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede do governo de transição. Um dos principais líderes do DEM, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), não participou da reunião.

Questionado sobre apoio ao governo Bolsonaro, o presidente do DEM afirmou que as conversas caminham no sentido de a legenda entrar para a base de apoio.

“As coisas estão caminhando para isso, está certo? Todo momento tem sido de troca de ideias, de aprofundamento do conhecimento dessa agenda do governo”, disse.

Ao final do encontro, ACM Neto informou a jornalistas que convocará a executiva nacional do partido para definir “um eventual apoio formal e uma condição de integrar a base do governo”.

Embora não tenha fechado apoio ao futuro governo, o DEM terá três ministros na gestão de Bolsonaro: Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Tereza Cristina (Agricultura) e Luiz Henrique Mandetta (Saúde). O presidente do DEM atribuiu as escolhas dos três integrantes do partido para o primeiro escalão a indicações pessoais de Bolsonaro, e não partidárias.

“Nós não podemos esconder que o partido tem satisfação pelo fato de ter três de seus membros integrados ao primeiro escalão. Nós não indicamos, foi uma escolha do presidente, mas são ministros altamente qualificados. Isso também gera um ambiente muito positivo com o Democratas”, ponderou ACM Neto.

O DEM é um dos partidos que formam no Congresso Nacional o bloco conhecido como “Centrão”, uma frente de partidos conservadores que se articula para ter mais força dentro do Legislativo.

Na eleição deste ano, o DEM apoiou a candidatura à Presidência de Geraldo Alckmin (PSDB). Com a derrota do tucano no primeiro turno, a direção do DEM liberou os filiados no segundo turno. ACM Neto, contudo, declarou apoio pessoal a Bolsonaro na disputa contra o petista Fernando Haddad.

Atualmente, o DEM tem 42 deputados, mas elegeu 29 para a legislatura que terá início em fevereiro de 2019.

Reunião da executiva

Ainda não há previsão de quando ocorrerá a reunião da executiva nacional do DEM que discutirá o eventual ingresso do partido na base de apoio de Bolsonaro no Congresso Nacional. É possível, inclusive, que o encontro ocorra somente no início de 2019, ressaltou ACM Neto.

ACM Neto ressaltou que o partido “está comprometido com a agenda que venha a colocar o país nos trilhos”, em especial nos projetos capazes de auxiliar a superar a “crise econômica”.

Ele ainda reforçou que o partido não trocará cargos por apoio ao governo, mesmo com três de seus filiados como ministros de Bolsonaro.

“Não temos nenhuma questão vinculada à troca de cargos. Nosso compromisso é exclusivamente com a agenda. E mesmo que não tivéssemos um servente no ministério, imagine três ministros, nós poderíamos apoiar o governo em função do que pode apresentar o governo ao país”, declarou.

Bolsonaro discursa integrantes do DEM ao lado dos futuros ministros da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), da Agricultura, Tereza Cristina (DEM-MS) e da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS)  — Foto: Rafael Carvalho/governo de transiçãoBolsonaro discursa integrantes do DEM ao lado dos futuros ministros da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), da Agricultura, Tereza Cristina (DEM-MS) e da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) — Foto: Rafael Carvalho/governo de transição.

Reforma da Previdência

O relator da atual proposta de reforma da Previdência, deputado Arhtur Maia (DEM-BA), participou da reunião. Segundo ACM Neto, o parlamentar defendeu a necessidade de colocar a reforma entre as prioridades do futuro governo.

Bolsonaro já anunciou a intenção de tentar aprovar mudanças na Previdência de forma fatiada. A definição de uma idade mínima para aposentadoria seria o primeiro ponto a ser votado.

O atual presidente Michel Temer enviou uma proposta de reforma, que aguarda para ser votada na Câmara dos Deputados e ainda teria de passar pelo Senado. O projeto foi deixado de lado nesta ano, já que o governo não tinha capital política para aprová-lo.

Presidência da Câmara

ACM Neto explicou que a ausência de Rodrigo Maia no encontro foi acertada com o próprio presidente da Câmara.

Ele lembrou que Maia já teve uma audiência com Bolsonaro e que sua presença na reunião poderia tirar a “liberdade” da bancada na conversa com o presidente eleito.

Sobre a disputa pela presidência da Câmara, na qual Maia poderá disputar a reeleição, ACM Neto afirmou que Bolsonaro tem mantido uma “postura de respeito ao poder legislativo”, sem interferência na escolha.

Fonte: G1