Com Donald Trump, Conselho de Segurança da ONU será imprevisível

O encontro de representantes das quinze nações costuma ser ensaiado e bastante protocolar, tudo o que o líder americano rejeita.

Trump na Assembleia Geral da ONU — Foto: Carlos Barria/ReutersTrump na Assembleia Geral da ONU — Foto: Carlos Barria/Reuters

Nesta quarta-feira (26), o presidente americano Donald Trump preside a reunião do grupo mais seleto da Organização das Nações Unidas, o Conselho de Segurança. A representante dos Estados Unidos na ONU, Nikki Haley, já havia especulado na semana passada que a reunião seria a “mais assistida de todos os tempos” – e ela pode estar certa, mas não necessariamente pelas razões esperadas neste tipo de ocasião. O encontro de representantes das quinze nações costuma ser ensaiado e bastante protocolar, tudo o que o líder americano rejeita.

O clima é de tensão e muitas incertezas giram em torno da liderança do presidente Donald Trump no órgão mais exclusivo das Nações Unidas, responsável pela manutenção da paz e da segurança a nível mundial. Inicialmente, estava planejado que a reunião focaria nas violações ao direito internacional do Irã, mas decidiu-se abordar de maneira geral a proliferação de armas nucleares para evitar que seja estabelecido o direito de resposta do presidente iraniano, Hassan Rouhani.

Conselho de Segurança da ONU — Foto: AP Photo/Seth WenigConselho de Segurança da ONU — Foto: AP Photo/Seth Wenig

Ainda não se sabe ao certo se o presidente seguirá o plano, o que pode resultar em uma interação entre Trump e Rouhani. Ainda assim, é improvável que alguma decisão contra o Irã seja tomada no encontro. Os outros quatro membros permanentes do grupo, China, Rússia, Reino Unido e França, mantêm o acordo nuclear que firmaram em 2015 e do qual Trump retirou os Estados Unidos. O tratado suspendeu as sanções contra Teerã em troca de concessões no programa nuclear iraniano. Em todo caso, espera-se que Trump volte a atacar duramente o país.

Confronto com Bolívia

Outra possível interação que chama atenção é com o presidente da Bolívia, Evo Morales. O país iniciou uma participação de dois anos no Conselho de Segurança em 2017. Morales é um feroz crítico de Donald Trump e já chegou a dizer que o presidente americano tem problemas mentais e que tem preconceito contra latino-americanos. Durante os últimos 21 meses, a Bolívia usou seu assento no grupo para alfinetar os americanos sempre que teve oportunidade.

O foco de Trump mudou completamente do ano passado para este ano. Em 2017 as atenções de Trump estavam voltadas para a Coreia do Norte, quando o americano assegurou que Kim Jon-un era um “homem foguete” com uma “missão suicida” e ameaçou destruir o país. Um ano depois, nesta terça-feira (25), Trump elogiou a coragem do líder norte-coreano no processo de diálogo e ignorou evidências de que o país não se afastou do caminho nuclear.

‘Ditadura corrupta do Irã’

O americano focou no Irã. Ele afirmou que os líderes iranianos fazem parte de uma “ditadura corrupta” e buscam semear “caos, morte e destruição”. Trump lançou uma campanha de pressão econômica para impedir o acesso do Irã a fundos para desenvolvimento regional e pediu que as nações aliadas isolem as lideranças iranianas, enquanto ainda houver agressões. Em resposta, Rouhani afirmou que a “segurança internacional não é um brinquedo da política doméstica americana”. Outros líderes, como o francês Emmanuel Macron, adotaram tom mais conciliador e pediram a cooperação internacional.

O assunto da reunião desta quarta-feira foi escolhido pela Casa Branca. Em geral, o país que preside o Conselho é que escolhe a pauta do encontro. Essa será apenas a terceira vez na história que um presidente americano preside a sessão. O democrata Barack Obama presidiu as outras duas reuniões, em 2009 e 2014.

Fonte: G1