Cães são treinados pelo Corpo de Bombeiros para ajudar em resgates

Animais são estimulados a encontrar vítimas ou pessoas em perigo.
Simulações com pessoas soterradas fazem parte do treinamento.

Cães do Grupamento de Busca e Salvamento receberam um treinamento para encontrar pessoas que possam ficar soterradas após um deslizamento de terra ou desabamento de casas e prédios. Junto com os sete animais treinados, 17 bombeiros de Pernambuco participaram, durante 12 dias, do curso de formação de cinotécnicos, isto é, a técnica de estudar e cuidar dos cães. A capacitação fez crescer o número de bombeiros no estado que tinham esse treinamento. Antes, eram apenas dois.

O treinamento foi realizado em Abreu e Lima, na Região Metropolitana do Recife. Segundo um dos instrutores, o capitão dos Bombeiros Antônio Barbalho, o curso serve tanto para preparar o bombeiro para trabalhar nesse tipo de cenário como para poder conhecer o comportamento do animal.

“A gente estimula o militar a trabalhar realmente num ambiente de encosta, a trabalhar num ambiente de colapso estrutural, se orientar em áreas de mata. Depois a gente ensina como trabalhar com o animal. Eles têm que entender um pouquinho como funciona a cabeça do cachorro, saber que cada cachorro é um cachorro, do mesmo jeito que cada um tem o seu comportamento enquanto humanos, os cães também”, detalhou o capitão Barbalho.

O militar também conta que os cachorros são guiados pelo olfato, que é 40% mais aguçado que o dos humanos. “O tempo todo estão caindo da gente partículas de decomposição celular, é o que a gente chama de PDC. Então a gente adestra o cão a perceber, a captar esse odor. Quando ele encontra esse tipo de odor, quer seja num deslizamento, num cenário de escombro, ou numa área de mata, ele tem que dizer para a gente que ali tem alguém. E esse indicar é através do latido”, esclareceu.

Em uma encenação de um acidente, o soldado do Corpo de Bombeiros Adão Matias Alves foi colocado sob tábuas de madeira e terra. No local da simulação, não havia nenhum vestígio, nenhuma pista de que a vítima estava no local. Com a missão de salvar uma vida, Trovão, um labrador de quatro anos, foi ao terreno e fez uma varredura. Em pouco mais de três minutos, o soldado foi encontrado pelo cão.”A sensação é de alívio. Mesmo sendo uma simulação, a gente sente uns 2% do que uma vítima estaria sentindo. E quando o cão chega é uma sensação de alívio. Sensação de que vamos ser salvos”, descreveu o soldado Adão.

De acordo com tenente-coronel Lúcio Guimarães, a parceria entre o homem e o cachorro é sinal de sucesso em resgate. “Somos hoje 19 bombeiros capacitados. A gente sabe que, na Região Metropolitana do Recife, no período de chuva, tem muita ocorrência nessa situação e com o uso do cão a gente reduz de 40 para três minutos o tempo para localizar a vítima”, concluiu.

Fonte: G1